16/12/2016

Metodologias ativas e educação adaptativa foram alguns dos destaques em encontro sobre ensino a distância

Formar cidadãos criativos e com pensamento crítico, capazes de lidar com as constantes transformações na maneira como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Esse é o grande desafio de quem atua na área de educação, segundo palestrantes do evento em comemoração ao Dia Nacional da EAD, realizado em 22 de novembro, no Centro Universitário Senac – Santo Amaro, na capital paulista.


Com o tema Educar na Era Digital, o encontro reuniu diversos profissionais do setor com o objetivo de compartilhar conhecimento e experiências, além de refletir sobre os caminhos para adequar os processos no ensino às atuais necessidades dos alunos.

"Estamos vivendo um momento de muitas mudanças, em que estamos sempre nos preparando para o desconhecido. Nós vamos ter empregos que não imaginamos que teríamos, nós vamos ter que nos reinventar ao longo da carreira. Isso é uma realidade. E os estudantes precisam ser inseridos nesse processo, nesse mundo que vai exigir demais deles", afirmou Betina Von Staa, da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), instituição organizadora do evento.

Diversos relatórios internacionais já apontam para esse novo cenário. O Fórum Econômico Mundial, por exemplo, projeta que 65% dos alunos que estão na educação infantil trabalharão em profissões que ainda não foram criadas. Já um estudo da Universidade de Oxford indica que 47% dos empregos podem ser automatizados até 2034.

Atualmente, também há um desalinhamento entre as expectativas dos alunos ao entrarem no mercado de trabalho e as dos recrutadores. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostra que 50% dos universitários se consideram aptos para determinadas vagas, mas apenas 39% dos empregadores reconhecem essas habilidades.

"É por meio da educação que vamos empoderar as pessoas a acreditarem em suas aptidões e a desenvolverem novas competências", afirmou Luciana Aparecida Santos, responsável pela coordenação da pós-graduação em Tecnologias na Aprendizagem do Senac EAD.

Como preparar os alunos para o futuro?
Para Betina, um caminho simples e eficiente para garantir uma formação a distância alinhada a essas novas dinâmicas sociais e profissionais é investir no uso de metodologias ativas, fortalecendo a capacidade dos alunos em debaterem, produzirem e solucionarem problemas.

Um dos itens para colocar esse plano em prática é elaborar perguntas mais instigantes diante de uma atividade. "Em vez de apenas perguntar o que o aluno achou de um texto, é possível levantar questões como: Por que esse assunto é importante para você? Onde você aplicaria x? Cite uma vez em que você observou y. O que causou estranhamento? Do que você discorda? Você tem alguma pergunta? É possível tornar esse processo mais ativo e com muito mais propósito apenas organizando as discussões de uma maneira diferente", disse.

Betina também recomenda utilizar sistemas que formem automaticamente grupos variados, quebrando "panelinhas de alunos" e estimulando o contato com diferentes pessoas e ideias. A videoconferência entre alunos é outro método para tornar as discussões mais vivas, fazendo com que os estudantes interajam mais entre si, assim como a flipped classroom, que usa o tempo da aula para debater ideias sobre atividades realizadas previamente.

Também é importante estimular a produção de textos, minimizando o medo dos alunos em escrever, além de criar um local físico de convivência, onde eles possam se encontrar ou estudar juntos. No caso de cursos EAD, é possível usar o polo onde se realiza as atividades presenciais para dar vida a esse espaço.

Personalização e resultados
Outro desafio dos educadores é lidar com as demandas dos próprios alunos, que apresentam modificações ao longo das gerações.



"Esse novo público quer velocidade para atingir seus propósitos rapidamente em função de qualidade de vida. Ninguém quer mais saber de teoria que não vai usar imediatamente", afirmou Stavros Xanthopoylos, integrante da Abed. "Por isso, é preciso pensar como atrair e fidelizar o aluno, pois se ele perceber que há algo melhor do lado, ele vai migrar sem pensar duas vezes", completou.

Uma saída é apostar na aprendizagem adaptativa, que busca a adequação de características do ambiente de aprendizagem para garantir a personalização, flexibilização e bom desempenho do estudante em sua trajetória educacional.

Segundo Stravos, a análise de dados pode ser um grande aliado nesse processo. Acompanhar o comportamento do aluno ao longo do curso torna possível o aprimoramento de recursos, o desenvolvimento de medidas preventivas, a identificação de objetos e ações que ajudem a turma a percorrer o processo de aprendizagem até a conclusão do curso.

Experiências do Senac
O público do evento ainda teve a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre as estratégias do Senac EAD nesse novo cenário.

Responsável pela coordenação do curso Bacharelado em Administração, Silmara Gomes compartilhou algumas ações que potencializam a interatividade e mantém a atratividade, como atividades complementares, fóruns de comunicação constante, fóruns temáticos sobre temas atuais, webconferências, entre outros.

Já Luciana compartilhou a negociação de parcerias com grandes companhias do mercado, como o Google, no curso Tecnologias na Aprendizagem. "A ideia é levar o poder de certificações complementares para disciplinas optativas, ou seja, não impacta no currículo organizado para o curso, mas incentiva os estudantes a vivenciarem novas experiências de aprendizagem. A ideia é buscar parceiros que tenham um know how de conhecimento e que possam complementar currículos mais tradicionais, empoderando as pessoas em suas habilidades", afirmou.

O educador Edilson Duarte dos Santos, que trabalha há 15 anos com educação a distância, elogiou a troca de conhecimento promovida pelo evento. "Redimensionei minha visão de EAD. Saio desse encontro muito diferente, muito melhor do que como cheguei", disse.

Conheça os cursos na área de educação oferecidos pelo Senac EAD.

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