31/01/2017

Unidades de conservação registraram aumento de 320% no número de visitantes em dez anos, segundo levantamento do ICMBio

Mulher contempla a natureza em Fernando de Noronha

Perder o fôlego com uma vista paradisíaca, se encantar com um animal em seu ambiente natural, se refrescar nas águas geladas de uma cachoeira, conhecer a rotina de uma comunidade que vive a quilômetros de distância dos centros urbanos. A busca por experiências genuínas tem aproximado cada vez mais viajantes de áreas protegidas, também conhecidas como unidades de conservação.

No Brasil, apenas nos espaços gerenciados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o número de visitantes aumentou 320% em dez anos, passando de 1,9 milhão de pessoas, em 2006, para 8 milhões, em 2015. Entre eles, estão destinos cobiçados, como os parques nacionais do Iguaçu, no Paraná, de Fernando de Noronha, em Pernambuco, e de Itatiaia, a primeira unidade de conservação do país, criada há 80 anos na divisa dos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

A atividade turística nessas regiões movimenta R$ 4 bilhões por ano, além de gerar 43 mil empregos e render R$ 1,5 bilhão ao Produto Interno Bruto (PIB) nacional. São números que influenciam diretamente nas comunidades locais e na preservação desses espaços. Por isso, especialistas do setor defendem o turismo como uma poderosa ferramenta de conservação e sensibilização da sociedade.

"Quando os viajantes desenvolvem apreço pelo patrimônio natural e cultural, eles são mais propensos a apoiar a conservação e proteção desses locais. Os visitantes se tornam administradores, amparando esses espaços por meio de taxas e despesas que podem beneficiar as comunidades locais com empregos, serviços de apoio ao visitante e auxilio na manutenção dessas áreas", afirma Kelly Bricker, presidente do The International Ecotourism Society (TIES) e vice-presidente do Global Sustainable Tourism Council (GSTC).

No entanto, Kelly alerta para que essa atividade seja baseada nos princípios e práticas sustentáveis. Caso contrário, uma série de impactos negativos podem prejudicar as unidades de conservação. "O turista deve ser respeitoso. Isso inclui cuidar de resíduos, poluição e ruídos. É preciso deixar o lugar como encontrou, livre para o próximo visitante", diz.

O desafio é ainda maior para as instituições e concessionárias que gerenciam as unidades de conservação. "A definição de estratégias de gestão de visitantes é fundamental para assegurar que os impactos sejam minimizados, respeitando os direitos e tradições dos membros das comunidades, garantindo benefícios econômicos diretamente para a população local, assim como a tomada de decisões e práticas sustentáveis que garantam a preservação da biodiversidade", afirma Kelly.

Segundo a profissional, quem atua no setor pode buscar referências nos critérios de sustentabilidade estabelecidos pelo GSTC, que funcionam como um bom direcionador de padrões no cenário internacional para diferentes atividades relacionadas ao turismo pautado nas responsabilidades ambiental, social e econômica.

Mas, afinal, o que são unidades de conservação?
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, unidades de conservação são espaços territoriais, incluindo seus recursos ambientais, que têm a função de assegurar a representatividade de amostras significativas e ecologicamente viáveis dos diferentes habitats, populações e ecossistemas do território nacional e das águas jurisdicionais, preservando o patrimônio biológico existente.

Elas estão divididas em dois grupos. O primeiro diz respeito às unidades de proteção integral, nas quais são permitidas apenas o uso indireto dos recursos naturais, ou seja, aquele que não envolve consumo, coleta ou danos aos recursos naturais. Fazem parte desse grupo as estações ecológicas, reservas biológicas, parques, monumentos naturais e refúgios de vida silvestre.

Já nas unidades de uso sustentável, a coleta e uso dos recursos naturais são permitidos, desde que praticados de maneira que a perenidade dos recursos renováveis e dos processos ecológicos esteja assegurada. Entre elas, estão as áreas de proteção ambiental, florestas nacionais, áreas de relevante interesse ecológico, além das reservas de fauna e de desenvolvimento sustentável, reserva extrativista e reserva particular do patrimônio natural.

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