28/04/2017

Homem ruivo com fone de ouvido estuda com computador e livros

Flexibilidade, praticidade, investimento mais acessível. Diversos são os fatores que contribuem para o crescimento da educação a distância no Brasil. E o cenário é de maior expansão para os próximos anos.

Pesquisa realizada recentemente em parceria entre as empresas Sagah e Educa Insights aponta que o ensino superior a distância corresponderá a 51% do mercado em 2023. Atualmente, esta oferta representa 26%.

No entanto, especialistas do setor indicam variáveis que podem potencializar ainda mais esses números. "A projeção é conservadora. Vários fatores tendem a modificar o comportamento dessa curva", afirma João Mattar, diretor de desenvolvimento científico da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) e vice-presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional (ABT).

Na entrevista abaixo, Mattar analisa a projeção para o futuro próximo da educação a distância e sinaliza as possibilidades que surgem diante desse cenário.

Como avalia os números apontados pelas Sagah e Educa Insights?
Acho que a projeção é conservadora. Vários fatores tendem a modificar o comportamento dessa curva, como o aumento da credibilidade que a educação a distância vem alcançando e da fluência com tecnologia por parte dos alunos que chegam ao ensino superior.

Também há o crescimento dos cursos semipresenciais, em que o aluno vai à instituição de ensino duas ou três vezes por semana, por exemplo, mas pela legislação brasileira, são considerados cursos a distância. Há, ainda, a crise financeira, que leva alunos que optariam por cursos presenciais a migrarem para cursos EAD, por conta do menor valor do investimento.

Quais oportunidades e desafios surgem nesse cenário?
Aumentam as oportunidades para instituições que querem atuar no espaço da educação a distância, bem como para os profissionais que atuam em EAD, como conteudistas, professores, tutores e designers instrucionais.

Os desafios correspondem à formação continuada adequada desses profissionais e de regulação, fiscalização e garantia de qualidade pelo Ministério da Educação.

É possível projetar novas profissões com a expansão da EAD?
Algumas ocupações já surgiram, como tutores e designers instrucionais. Mas podemos visualizar outras, como profissionais de vídeo especializados em EAD, revisores de conteúdo e coordenadores especializados na área.

Profissionais de quais áreas podem migrar com facilidade para a educação a distância?
Na verdade, profissionais de todas as áreas. No entanto, há um espaço aberto para pedagogos e outros profissionais em áreas ligadas à educação, assim como quem trabalha com tecnologia. Atualmente, os profissionais de tecnologia não são focados apenas na EAD, mas trabalham na instituição com Tecnologia da Informação em geral.

Quais dicas daria para quem pensa em atuar com educação a distância?
Em primeiro lugar, ler e estudar bastante. A educação a distância já é uma área constituída, com pesquisas sólidas e muitas publicações. Não é possível entrar ignorando tudo o que já foi construído.

Além disso, participar ativamente de eventos. Há vários importantes no Brasil, como Ciaed, Senaed, Jovaed, Esud, Jornada Educação a Distância: o futuro da arte, entre outros.

Ainda é importante se atualizar em relação às novas tecnologias que estão sendo introduzidas na EAD, como games, redes sociais, realidade virtual e aumentada, assim como se inserir em um grupo que pesquise ou trabalhe com EAD para aprender na prática.

Confira os cursos na área de educação oferecidos pelo Senac EAD.

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