25/05/2017

Empreendedora com grupo de jovens reunidos em escritório moderno

Previsível, conservador e operacional. É dessa maneira que Pedro Waengertner, cofundador da aceleradora de startups ACE, define o marketing praticado por boa parte das companhias atualmente. O especialista foi um dos palestrantes do Ciclo Produtividade para Pequenas Empresas, promovido no início de maio pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) em parceria com o Senac, na capital paulista.

No evento, Pedro alertou que restringir ações de marketing apenas a investimentos em mídia paga e à terceirização de demandas para agências de comunicação reforça padrões que afastam as empresas de soluções criativas, estratégicas e, principalmente, de baixo impacto financeiro.

"Na área de marketing, estamos acostumados a jogar dinheiro no problema, colocando dinheiro onde todo mundo coloca dinheiro. Mas, invariavelmente, inteligência e criatividade sempre ganham de dinheiro nessa briga", afirma o profissional, que vê nas startups um bom exemplo do uso de ações mais dinâmicas e assertivas no marketing.

O baixo orçamento comum ao início operacional faz com que as startups testem inúmeras pequenas estratégias para sobreviver e atingir o crescimento desejado. A ausência de intermediários também as deixam mais próximas dos clientes, fazendo com que elas aprendam sobre seu público e tirem insights mais rápidos.

Essas ações correspondem ao que Pedro chama de marketing ágil, um método baseado no desenvolvimento de um ciclo de testes que aprimoram o produto final de acordo com os resultados obtidos nas diferentes etapas desse processo. "Muitos experimentos vão dar errado, mas aqueles que derem certo garantirão um retorno muito positivo para a empresa. E esse exercício deve ser absolutamente alinhado às métricas da companhia", diz.

São os impactos nas principais metas da companhia que sinalizam a força e validade das estratégias adotadas. Por isso, um dos primeiros itens a serem determinados nesse processo é a definição dos objetivos da empresa.

Pedro Waengertner, Gabriel Porto e Thiago Brandão falam sobre marketing de startups em evento da Amcham

   Pedro, Gabriel e Thiago compartilharam experiências sobre marketing

Foi esse o ponto de partida utilizado pelo VivaReal, um dos cases abordados no evento, quando entrou no segmento de sites de classificados de imóveis há oito anos. Sem verba para investir em mídia paga, a empresa traçou uma estratégia para gerar engajamento a partir da meta que desejava atingir naquele primeiro momento.

"Se somos um marketplace, baseado em oferta e demanda, precisávamos pensar em oferta. Se não tivéssemos oferta, a demanda chegaria ao nosso site e não ficaria feliz com o que encontraria, sem voltar mais”, lembra Gabriel Porto, vice-presidente de marketing do VivaReal. “Precisávamos garantir o maior número de ofertas dentro do nosso portal, tendo uma estratégia agressiva para trazer anúncio de imóveis para dentro do site", afirma.

Gabriel explica que a cada novo imóvel, a equipe conseguia projetar o número de novos visitantes que o site conseguiria atrair por meio de SEO, ferramenta utilizada para otimização de buscas. "Dessa forma, foi possível definir o que era preciso fazer para chegar onde queríamos", diz.

Após concentrar um alto número de anúncios e, consequentemente, alto tráfego no site, o VivaReal passou para a segunda fase da estratégia, baseada no engajamento tanto de anunciantes quanto de consumidores. Para isso, pesquisou as principais dificuldades que esses públicos tinham no dia a dia, criando soluções por meio do aprimoramento de serviços, como maior dinamismo no agendamento de visitas a imóveis e chat de comunicação instantânea entre anunciante e cliente.

Parceria e boas histórias
Ter certeza do bom desempenho do produto ou serviço oferecido é o melhor marketing que uma empresa pode ter, segundo Thiago Brandão, sócio da plataforma de descontos Cuponeria.

"Pense sobre a qualidade do seu produto. Você o recomendaria para seus amigos e familiares?", questiona Thiago, presente no evento para compartilhar a trajetória da empresa. Ele relembra que foi essa reflexão que levou a startup a recuar e realizar os ajustes necessários para que pudesse avançar no mercado.

Feito isso, a plataforma seguiu em frente, buscando parceiros que a ajudassem nessa jornada. Para Thiago, uma boa dica é buscar por outras empresas que queiram falar com frequência e de graça sobre seu produto. "Atualmente, nossos parceiros são alguns dos maiores geradores de cupons em nossa plataforma. Por isso, os tratamos com muito carinho, repassando informações antes de serem divulgadas e cultivando frequentemente esses relacionamentos. Com bons parceiros, caminhamos mais rápido e com menos dor", completa.

Thiago ainda alerta para a importância de ter um espaço para difundir as experiências da empresa, como um site ou blog, por exemplo. "O Google é uma porta de entrada para muitas coisas. Se tivermos todas as nossas boas histórias em uma plataforma, as pessoas nos encontrarão quando pesquisarem sobre algo. Atualmente, grandes empresas não possuem conteúdo na internet. São conteúdos específicos que as pessoas estão pesquisando e não estão encontrando. Independentemente do setor em que estejam, dediquem um espaço para criar textos que o Google possa entregar nessas buscas", orienta.

Para empresas que já pensam em reservar parte do orçamento para investir em comunicação digital, o empresário indica o uso de mídia de performance, com pagamento por clique ou conversão, por exemplo. "Pense em canais de marketing que estarão ao seu lado, que vão ganhar dinheiro quando você ganha dinheiro. E que, principalmente, mostrem os resultados dos nossos investimentos", afirma Thiago.

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