08/06/2017

Pessoas sentadas lado a lado usam celulares, tablets e notebooks

Atualmente, o Brasil possui 14 milhões de pessoas à procura de trabalho, o que corresponde a 13,6% da população. Em contrapartida, a dificuldade em encontrar o profissional com o perfil desejado é apontado como principal motivo para o aumento no tempo do processo seletivo por 53% dos líderes de recursos humanos consultados pela Robert Half, empresa de recrutamento especializado.

Para Giancarlo Giacomelli, responsável pela coordenação dos cursos técnicos a distância do Senac nas áreas de administração, logística e marketing, é preciso analisar as áreas que estarão em alta nos próximos anos para mapear as possiblidades de atuação que surgem nesse cenário, assim como as características desejadas pelo mercado de trabalho. O profissional falou sobre o tema na webpalestra Construindo Suas Oportunidades – competências para se destacar em um novo mercado, que integrou a programação da 12ª Feira de Oportunidades, promovida pelo Senac Rio Grande do Sul de 8 a 13 de maio.

Giancarlo se baseou em um relatório desenvolvido pela empresa de consultoria Bain & Company sobre as grandes oito tendências de crescimento até 2020, das quais destacou cinco itens: o próximo bilhão de consumidores, o aumento crescente da produção primária, desenvolvimento de capital humano, manutenção da saúde e a melhoria do que já é ofertado atualmente.

"A expectativa é que, até 2020, acompanhemos o ingresso do próximo bilhão de consumidores no mundo, principalmente os asiáticos, que estão cada vez mais inseridos nesse universo do consumo. Esses novos consumidores representarão um aumento de US$ 10 trilhões na economia mundial, um dinheiro que alcançará diversos países, incluindo o Brasil", alerta o profissional.

Por isso, é preciso estar atento ao perfil desse novo grupo, para que a oferta corresponda aos anseios desses clientes em potencial. Com renda média anual abaixo dos US$ 20 mil, esses consumidores são exigentes e desejam pagar pouco por produtos e serviços de qualidade, buscando por custo-benefício. "Isso impacta muito no modo como as pessoas devem se posicionar no mercado, com que tipo de negócio elas devem atuar, que tipo de empresa é interessante abrir ou investir neste cenário", aponta Giancarlo.

Ao mesmo tempo, o relatório aponta que há boa parcela dos consumidores mundiais disponíveis em investir em produtos de alta qualidade. São itens que não deverão apresentar grandes novidades tecnológicas, mas que serão versões aprimoradas das já existentes, gerando US$ 5 trilhões na economia. Nesse cenário, o marketing, pesquisas com o consumidor, melhorias no processo e inovações no modelo de negócios estão entre os pontos a serem trabalhados em busca de bons resultados.

O aumento da expectativa de vida também gera uma demanda interessante por produtos e serviços ligados ao turismo, alimentação, saúde e bem-estar, baseados nessa população que percorre pela terceira idade de maneira ativa e com poder aquisitivo.

O relatório ainda destaca o aumento da produção primária, que representará a movimentação de US$ 3 trilhões. Para Giancarlo, o item sinaliza a retomada da produção agrícola no Brasil, que deve superar os obstáculos do cenário interno para atender ao aumento do consumo de alimentos provenientes do crescimento da população mundial.

O desenvolvimento de capital humano será essencial para absorver todas essas tendências, principalmente na área de gestão, que passará por escassez de talentos durante um período, segundo o relatório.

"Vemos o Brasil com um alto número de desempregados, mas os empregadores não conseguem localizar candidatos qualificados, com as características que esperam", diz Giancarlo, que alerta para a necessidade de investimento constante na qualificação profissional.

Como se destacar nesse cenário?
Além de aproveitar as oportunidades presentes nas áreas mapeadas pela Bain & Company, Giancarlo afirma que um aspecto central para se destacar nesse cenário é pensar quanto valor é gerado a partir do produto ou serviço oferecido.

"Valor nem sempre é dinheiro. Garantir mais comodidade ao cliente e fazer com que eles realizem suas tarefas em menos tempo são exemplos de como gerar valor sem pensar financeiramente", afirma.

O profissional também sinalizou as características mais buscadas pelo mercado a partir da análise dos requisitos de vagas de grandes companhias, como dinamismo, criatividade, iniciativa e paixão.

Giancarlo ainda exalta a importância por uma atuação focada em resultados, domínio das ferramentas e processos da área de atuação e visão crítica que capacite a tradução de diferentes cenários.

"Ter uma atitude empreendedora talvez seja a grande diferença na expectativa para os atuais profissionais. Enquanto no século passado se esperava que os profissionais fossem procedimentais, cada vez mais é desejado pessoas com capacidade de avaliar e traçar melhorias nos processos e na busca por resultados, com autonomia e poder de decisão", diz.

Ações sustentáveis e colaborativas também fazem parte do perfil buscado pelo mercado. "São profissionais que pensam a longo prazo e respeitam o tempo da empresa, tomando decisões em sintonia com as necessidades da companhia, sempre de maneira ética", esclarece Giancarlo. "São aqueles que integram novas pessoas à equipe, atuam em colaboração, aceitam testar novas ideias e sugestões, que possuem visão crítica, mas sem criar atritos", completa.

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