22/08/2017

jogos digitais


O consumo de games tem se destacado no cenário da cultura pop, superando números de outros meios de entretenimento e mantendo o mercado cada vez mais aquecido. É o que mostra o Youtube Insights 2017, relatório divulgado em julho pelo Google que traz, entre outros dados, um perfil dos usuários que assistem vídeos sobre jogos na plataforma.

Para mostrar a força do setor, a pesquisa comparou o desempenho dos games com outras áreas. Com 2,2 bilhões de jogadores ao redor do mundo, a indústria atingiu US$ 108,9 bilhões em 2016, valor quase sete vezes maior do que a indústria musical registrou no período. O jogo GTA V já faturou US$ 3 bilhões, mais do que qualquer filme da história. Os eventos relacionados a games também se destacam: no Brasil, por exemplo, cerca de 300 mil pessoas acompanharam a edição de 2016 do Brasil Game Show, acima das 240 mil pessoas que foram aos quatro shows realizados pelo Rolling Stones na última turnê da banda no País.

"O mercado de jogos brasileiro é o maior da América Latina e movimentou mais de US$ 1,6 bilhão no ano passado, segundo a NewZoo Games. Não fosse a alta carga tributária para os fabricantes, que impactam no preço final dos jogos para o consumidor, o mercado seria muito maior. De qualquer forma, mesmo com a crise econômica, o Brasil está entre os países que mais consomem jogos no mundo", avalia Deivith da Cunha, docente do curso Técnico em Programação de Jogos Digitais, do Senac EAD.

O panorama positivo tem impacto direto no aumento de profissionais que atuam no setor. Apenas no Brasil, o número de desenvolvedores cresceu 600% em oito anos, de acordo com a Abragames.

"Muitos estudantes na área de jogos acabam se reunindo para produção de um jogo. E, mesmo sem ter uma sede própria, publicam seus games em uma loja, com a Apple Store ou a Google Play, conseguindo uma boa remuneração", afirma Deivith.

O docente afirma que criar um jogo do início ao fim e disponibilizá-lo em alguma plataforma é uma das principais estratégias para quem está dando os primeiros passos na carreira e deseja se destacar na área de games.

"Essa é a dica de muitos brasileiros que fazem sucesso fora do País desenvolvendo jogos de grandes franquias. Não precisa ser um jogo complexo, porém, é preciso que seja completo", indica Deivith. "O game precisa ter um desafio que motive alguém a querer jogá-lo. Após a conclusão, tente fazer com que ele chegue a um número grande de pessoas, seja divulgando nas redes sociais ou colocando em uma loja de venda de aplicativos", completa.

Para que um jogo seja considerado completo, ele deve possuir dois elementos simples: objetivo claro e jogabilidade para alcançar essa meta. André Ricardo Theodoro, responsável pela coordenação do curso, destaca alguns itens que podem ajudar nesse processo.

"Crie uma história com personagens, cenários e objetivos. Defina uma mecânica e os desafios para o jogo. Desenvolva os recursos de arte, como personagens, cenários e sons. Programe a jogabilidade e realize testes", orienta André. "Esse pode ser um bom checklist para criar um jogo digital", diz.

"Ser um jogador assíduo auxilia e ajuda na compreensão das mecânicas dos jogos, os desafios, objetivos e enredos, assim como, a jogabilidade que um jogo deve proporcionar. Contudo, isto não é um fator determinante para se destacar no mercado dos games, pois o que de fato destaca nessa área é o conhecimento técnico-científico no desenvolvimento dos jogos digitais", alerta.

Além do conhecimento técnico, é preciso que os profissionais desenvolvam outras habilidades valorizadas pelo mercado.

"Entre elas, estão a capacidade de comunicação, tanto para expor suas ideias para a equipe de trabalho quanto para ouvir outras opiniões e considerações. A proatividade também é importante, assim com a capacidade de motivar seus pares. Um bom desenvolvedor de jogos ainda deve ser criativo, responsável e organizado", afirma Deivith.

Outra dica é acompanhar de perto as tendências do setor. Para André, a integração entre mundo físico e digital é o que movimentará os próximos anos. "As pesquisas em realidade virtual e aumentada têm avançado muito. Essa área promete novidades que vão estremecer o mundo dos games", alerta.

Protagonismo feminino
O relatório disponibilizado pelo Google também aponta um crescente protagonismo feminino na área. De acordo com o estudo, as mulheres representam 80% do público que joga games de celular no Brasil.

"A maioria dos jogos sempre foi desenvolvida com a perspectiva de jogadores de ambos os gêneros. Contudo, o apelo ao público masculino sempre foi muito maior, seja pelos enredos dos jogos, seja pelo design dos personagens", analisa André. "O crescente número de mulheres gamers indica um nicho de mercado emergente que deve ser explorado. Novas possibilidades de jogos, ideias e produção nascem junto com essa demanda, o que também abre novas oportunidades na área de desenvolvimento", afirma.

Para o coordenador, o índice ainda comprova o empoderamento feminino em diferentes campos de atuação. "Cada vez mais, as mulheres têm se interessado pela área de tecnologia, que era quase exclusiva aos homens até alguns anos atrás. Elas também têm provado serem excelentes programadoras", afirma. "Com mais mulheres jogando diferentes tipos de games, maior será o interesse delas em ingressar nesta carreira profissional. Junto com o crescimento do mercado de games no Brasil, cresce a demanda por bons profissionais, e é a qualificação que faz a diferença na hora de procurar uma vaga no mercado de trabalho", completa André.

Saiba mais sobre o Técnico em Programação em Jogos Digitais, oferecido pelo Senac EAD.

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