08/08/2017

Lidereança amcham

Uma comunicação interna eficiente beneficia o clima no ambiente de trabalho, a produtividade dos profissionais e, até mesmo, a visibilidade das próprias empresas nas redes sociais, potencializando o destaque da marca no mercado. No entanto, não basta apenas aprimorar estratégias tradicionais e investir em novas tecnologias para atingir um bom resultado na área.

O caminho que vem sendo adotado por grandes empresas é aproximar e capacitar diferentes lideranças das companhias para serem agentes de mudança e propagadores de informações, de acordo com as experiências compartilhadas durante o Comitê de Gestão de Pessoas, promovido no final de julho pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) em parceria com o Senac, na capital paulista.

"Nesse ano, a Unilever optou por retornar aos conceitos básicos de comunicação, que é baseado em pessoas conversando com pessoas. Passamos a ouvir mais os funcionários, gerando diálogo e engajamento", diz Ana Paula Franzoti, gerente de Recursos Humanos da multinacional.

A ideia surgiu a partir de um grupo de discussão com 12 gerentes de diversas áreas, que relataram uma série de preocupações que rondavam os corredores da empresa, mas que não eram percebidas pelas lideranças. Para modificar esse cenário, nasceu o projeto Liderando o Agora, composto por frequentes rodadas de conversas entre líderes de diferentes níveis, pautadas na abertura para diálogos sobre temas difíceis e sem barreiras, estimulando o desenvolvimento de bons ouvintes, sem a necessidade de ter uma solução imediata na ponta da língua.

O projeto, que será ampliado nesse segundo semestre para outros colaboradores, já possui reflexos positivos no dia a dia da companhia. "Atualmente, é possível ver que há uma voz única, todos tem acesso às mesmas informações. As áreas também estão rompendo barreiras para trabalharem juntas, envolvendo primeiro os funcionários, antes do público final", afirma Ana.

A área de gestão de pessoas do Walmart também vê as lideranças da instituição como braço direito da comunicação. Por isso, cultiva um relacionamento próximo com esses profissionais e realiza frequentes capacitações internas a partir das necessidades especificas de cada um, identificadas por meio de conversas com suas respectivas equipes.

"A tecnologia não tem volta, mas nada substitui a conversa face a face, mesmo que virtualmente", afirma Cleide Oliveira, diretora de Recursos Humanos do Walmart.

Pertencimento e employer branding

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Conhecer o público interno e entender como os colaboradores estão se relacionando com a empresa também é fundamental no desenvolvimento da comunicação corporativa. Investir em grupos focais e pesquisas de clima, incorporando as lições aprendidas para melhorar processos, dinamiza essa trajetória da organização.

"As empresas fazem diversas pesquisas para conhecerem seus consumidores de A a Z. Mas
e o público interno? Por que deve ser diferente? Ele é tão importante quanto e, geralmente, não é dedicado o mesmo esforço e tempo para compreendê-lo", alerta Cleide.

Outra estratégia eficiente é fortalecer histórias internas para resgatar a sensação de pertencimento entre os colaboradores. "Percebemos que ao contar histórias impactamos muito mais o público interno a partir de uma mensagem-chave, despertando o orgulho de pertencer. Se a pessoa tem orgulho de trabalhar no local, ela produz, entrega, fala bem para os outros", afirma. "Por isso, usamos muitas vozes da organização para que as pessoas se sintam representadas", completa.

Para Tatiana Cirqueira Feitosa, gerente de Recursos Humanos da companhia de cartões Alelo, o envolvimento e orgulho dos profissionais também reflete positivamente fora da companhia.

"Quando conseguimos promover ações ou falar a língua dos colaboradores por meio da comunicação interna, automaticamente criamos um ambiente favorável para o vínculo emocional deles com a companhia, e isso favorece engajamento e clima. O colaborador começa a falar bem da empresa nas redes sociais, atraindo mídia espontânea e beneficiando o employer branding", analisa. "O melhor employer branding é por meio do colaborador", diz Tatiana.

Ela ainda relembra como a Alelo aproximou os funcionários da área de comunicação, fazendo com que eles se tornassem protagonistas no compartilhamento de informações com colegas.

"Em um certo momento, percebemos que newsletter ou TV corporativa, por exemplo, já não eram mais suficientes. Então, identificamos a oportunidade de criar um grupo de comunicadores da Alelo, formadas por pessoas de todas as áreas e de diferentes partes do Brasil. Formalizamos a 'rádio-peão'", brinca.  

Com cerca de 15 pessoas, o grupo tem o objetivo de propagar informações nas suas áreas e trazer insumos para serem trabalhados pela equipe de gestão de pessoas da companhia. "Em média, elas se reúnem uma vez por mês e possuem iniciativas próprias, como a última festa junina realizada no meio do escritório, que contou com a participação do diretor comercial puxando a quadrilha. Mas isso está diretamente conectado com a cultura da empresa, que é leve, jovem e descontraída", afirma.

Novas tecnologias e desafios legais
As tecnologias que já fazem parte do cotidiano dos profissionais fora do ambiente de trabalho também passam a ganhar força no mundo corporativo.

O Walmart, por exemplo, já está realizando testes em unidades fora do Brasil com o Workplace, plataforma do Facebook direcionada para o público interno de empresas que traz algumas funcionalidades específicas em complemento às disponíveis para o público geral.

A rede varejista ainda investe na produção de vídeos internos. "Hoje em dia, as pessoas acordam e vão dormir assistindo vídeos. Contar histórias por meio deles tem um potencial muito grande", afirma Cleide, que também aponta as mensagens instantâneas como fundamentais para dinamizar a comunicação no dia a dia.

É preciso, no entanto, avaliar a melhor maneira de adaptar esses recursos no ambiente profissional, para não ultrapassar barreiras legais. "Há casos de líderes que fizeram feedbacks por WhatsApp ou compartilharam conteúdos inadequados nos celulares corporativos", alerta Ana, acompanhada por Cleide. "Então, antes de adotar essas ferramentas, é preciso ter uma gestão de consequências muito bem alinhada com as lideranças, garantindo rápida reação nesses momentos", diz.

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