29/06/2018

 lixo eletrônico

De acordo com o relatório Global E-Waste Monitor 2017, desenvolvido pela Universidade das Nações Unidas, União Internacional de Telecomunicações e pela Associação Internacional de Resíduos Sólidos, aponta que, em 2016, foram produzidos 44.7 milhões de toneladas de e-waste no mundo, o que corresponde a 4,500 torres Eiffel.

Essa pesquisa indica o Brasil como o maior produtor de lixo da América Latina e o segundo de todo o continente americano, produzindo 1.5 milhões de toneladas e ficando atrás apenas dos Estados Unidos (6.3 milhões de toneladas). 

A estimativa desse estudo é que cada brasileiro gere 7,4kg de lixo eletrônico por ano. São monitores de computadores, telefones celulares e baterias, computadores, televisores, câmeras fotográficas e impressoras que podem ter outro destino para não se transformarem em risco ao meio ambiente. Izidro Ceolin Filho*, coordenador do curso de Técnico em Meio Ambiente, do Senac EAD, fala sobre os danos ambientais por meio de depósito inadequado de resíduos eletrônicos, contaminação, aterros sanitários e descarte responsável.

Quais os problemas causados ao meio ambiente pelo descarte inadequado?

A preocupação sobre o ponto de vista dos resíduos eletrônicos vem crescendo muito nos últimos anos em virtude dos severos problemáticas que esses resíduos provocam ao meio ambiente e à qualidade de vida das pessoas e dos animais.

Esses materiais possuem substâncias químicas em seus componentes eletrônicos, tais como: mercúrio, cádmio, arsênio, cobre, chumbo e alumínio, penetram no solo e nos lençóis freáticos contaminam plantas e animais por meio da água. Ao serem jogados no lixo comum, ou em outros locais inapropriados, não havendo uma correta gestão, podem provocar doenças carcinogênicas na população por meio da ingestão desses produtos.

Problemas ambientais causados pelo descarte incorreto:

Redução do tempo de vida útil dos aterros sanitários: Equipamentos eletrônicos possuem em sua grande quantidade, materiais que demoram muito tempo para se decompor naturalmente, como por exemplo, vidro e plástico. Esses materiais em aterros sanitários, aumentam o volume dos resíduos nesses locais e reduzem seu tempo de vida útil, causando ainda mais impacto ambiental.

Contaminação por metais pesados: Placas e demais circuitos eletrônicos de equipamentos possuem quantidades significativas de metais pesados. Este é um dos principais danos ambientais causados pelo lixo eletrônico ao meio ambiente, pois tratam-se de substâncias altamente poluentes e que afetam tanto a qualidade do solo quanto da água, degradando os lençóis freáticos e levando essa contaminação a longas distâncias.

Danos à saúde pública: Apesar de não ser uma consequência ambiental propriamente dita, os descartes incorretos desses materiais causam danos à saúde da população que vive no entorno dos aterros sanitários ou que vivem da separação dos resíduos destinados aos mesmos.

Onde depositar o material? 

Como esses tipos de resíduos têm em sua composição grandes quantidades de materiais que demoram muito tempo para se decompor naturalmente, a forma mais adequada de descartá-los é em pontos de coleta. Existem em algumas lojas e também empresas que recebem esse material, além das prefeituras. 

Quando descartados em aterros sanitários, esses materiais aumentam o seu volume, reduzindo o tempo de vida útil desses espaços, além de causar ainda mais impacto ambiental em virtude da mistura desses produtos a outros resíduos, deixando ainda mais contaminante e perigoso o chorume (líquido percolado da decomposição de materiais).

Como descartar de forma responsável?

Para garantir que nosso resíduo eletrônico não irá causar problemas como contaminação e poluição do meio ambiente é importante descartar corretamente esses equipamentos.

Já existe um mercado de empresas e cooperativas que trabalham com a reciclagem de eletrônicos. Assim como, as baterias dos celulares podem ser entregues para as empresas de telefonia.  Essas empresas têm a obrigação de encaminhar os resíduos para os locais corretos evitando assim danos ao meio ambiente. 

Nos casos em que a sociedade pretende descartar os equipamentos apenas por estarem obsoletos, vale a pena cogitar a possibilidade de doar os mesmos. Quando os equipamentos apresentam boas condições de uso podem ser muito interessantes para instituições sociais ou mesmo para pessoas que não possuem condições de adquirir aparelhos novos. Dessa forma, não contamina o meio ambiente e ajude quem precisa.

Há locais em que se pode doar os equipamentos para conserto, reutilização ou ressignificação? 

Sim, existem locais que aceitam esses resíduos em várias regiões do Brasil.

Há cooperativas que trabalham com desmonte e manufatura desses equipamentos. Em alguns municípios, há prefeitura que possuem postos de coleta para que a comunidade possa destinar esses produtos de forma eficiente e sustentável.

Izidro Ceolin Filho* é biólogo, especialista em Gestão e Educação Ambiental e coordenador do curso de Técnico em Meio Ambiente do Senac EAD.


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