31/07/2018

consumo

Há pouco mais de um século, o plástico chegava para substituir materiais como marfim e madeira.  Logo depois, para evitar a disseminação de doenças por conta do uso de xícaras comunitárias, em 1909, surgem os copos descartáveis.

De lá para cá, esse material foi, rapidamente, ocupando espaços no mercado e na sociedade. Basta olhar ao seu redor. Quanto do que vê é plástico?

O volante do carro, o banco do ônibus, embalagens, brinquedos, móveis, vasos, e mais uma infinidade de itens. De acordo com pesquisa da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), construção civil, alimentos e bebidas, automóveis e autopeças, papel/celulose, agricultura, instrumentos médicos, tecnologia, cosméticos e varejo são os setores que usam plástico para produção, cujo resultado todos consumimos. O uso do material revolucionou a indústria, mas também gerou um grande problema para o planeta: o acúmulo de lixo.

Em 65 anos, apenas 9% dos 8,3 bilhões de toneladas de plástico produzidos no mundo foram reciclados. Estima-se que apesar de 30% de todo o lixo produzido no Brasil ter potencial de reciclagem, apenas 3%, de fato, é reaproveitado. Esses dados são de uma pesquisa publicada pela Science Advances, em 2017.

No entanto, a reciclagem não está ao alcance de todos, já que dos 5.570 municípios do Brasil, segundo dados do IBGE 2016, apenas 1.055 possuem o processo de coleta seletiva implementado e cidades como São Paulo, que possuem coleta seletiva, ainda não atingem a população em sua totalidade.

Para Deborah Prado*, professora do curso Tecnologia em Gestão Ambiental, do Senac EAD, esses dados mostram a necessidade de fortalecer, sim, a indústria recicladora. “Mas, as ações prioritárias são antes de tudo, a redução do consumo. Reduzir o consumo desnecessário das embalagens, reutilizá-las e, só então, destiná-las adequadamente à indústria da reciclagem é a lógica mais indicada”.

Ela explica que embora isso envolva mudanças de comportamento individuais, restringir-se apenas a esse âmbito é insuficiente. Para ilustrar essa tendência, Deborah lembra que
 uma das discussões emblemáticas nos últimos tempos tem sido o impacto dos micro plásticos para os ambientes marinhos.

“Há poucos meses, nos deparamos com uma medida muito divulgada nas redes sociais: o combate ao uso do glitter nas festas de carnaval. Esse exemplo específico diz muito sobre a necessidade de contextualizar a origem e a dimensão dos problemas ambientais. Apesar do glitter ser um micro plástico e ter um efeito ambiental nocivo, todas as nossas garrafas PET (polietileno tereftalato) também se transformam em partículas microscópicas de plástico que contaminam os oceanos após degradação mecânica. Escolher um vilão como o glitter, e/ou se sentir ‘mais sustentável’ por aderir ao glitter biodegradável podem ser, em última análise, medidas ingênuas e superficiais, se a problemática de fundo não for desvendada, como repensar o ciclo de vida dos produtos e sua reinserção nas diversas cadeias produtivas”, afirma a professora.

Não foi à toa que a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu #AcabeComAPoluiçãoPlástica como o tema deste ano para as ações do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho.

Observação: Em 25 de janeiro de 2017, foi entregue o primeiro relatório de ações do Acordo Setorial de Embalagens em Geral que visa à implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto para atender à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº12.305/2010.


Deborah Santos Prado* é graduada em Ciências Biológicas e mestre em Ecologia, doutoranda em Ambiente e Sociedade. Integrante do grupo de Pesquisa e Extensão em Conservação e Gestão de Recursos Comuns, da Unicamp e professora do Centro Universitário Senac na área de meio ambiente.


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